• Gisela Mangabeira Sousa

Ebook - Pesquisa 2020: Transformação Digital & Inovação em Logística e Supply Chain

Em 2020 realizamos a fase I nossa pesquisa sobre transformação digital e inovação em logística e supply chain durante os meses de agosto e setembro. A fase II ainda está em desenvolvimento e deve trazer resultados mais específicos sobre alguns dos principais temas explorados na fase I e seus resultados devem ser publicados em 2021.


Participaram dessa pesquisa, cerca de 200 profissionais, majoritariamente de grandes empresas, compondo uma base de dados representativa para o mercado de grandes empresas atuantes no Brasil.


Os resultados da fase I, juntamente com um resumo do estudo prévio realizado e com materiais que complementam a discussões dos diferentes temas, estão apresentados na primeira edição do e-book: Transformação Digital & Inovação em Logística e Supply Chain.


Baixe aqui o PDF com o e-book Pesquisa 2020: Transformação Digital e Inovação em Logística e Supply Chain, Brasil


e-Book_ Pesquisa 2020 - Transformacao Di
.
Download • 46.91MB

Ou veja o conteúdo completo através do link: Pesquisa 2020


Abaixo deixamos parte do conteúdo do e-book com alguns dos principais resultados da pesquisa.


Pesquisa 2020 - Transformação Digital & Inovação em Logística e Supply Chain


Os processos de inovação e transformação começam com o envolvimento das pessoas e discussão de possibilidades de mudanças e melhorias. A qualidade de utilizar conhecimentos específicos em novos processos, serviços e produtos implica em um trabalho de gestão de pessoas e de conhecimento.


Comparando 2019 com 2020 vemos que os profissionais de Logística e Supply Chain participaram mais de discussões sobre inovação e transformação digital. Em 2019 apenas 38% dos profissionais entrevistados indicaram participar frequentemente de discussões desse tipo enquanto esse ano cerca de 50% participaram. A figura 1 ilustra essa situação.



Figura 1 - Participação em reuniões para discutir estratégia de transformação digital de Supply Chain e logística nos últimos 12 meses


Aprofundando-se na análise dos resultados de 2020 das grandes empresas, verifica-se que a indústria envolveu mais a equipe de Logística e Supply Chain em discussões estratégicas sobre transformação digital do que o varejo. Percebe-se também que em ambos casos a participação de discussões sobre inovação e transformação ocorre de forma mais intensa na esfera de alta direção onde mais de 70% dos profissionais indicaram ter participado frequentemente dessas discussões. As figuras 2 e 3 detalham essas informações.

Figura 2 - Diferença da participação de profissionais de

logística e supply por setor



Figura 3 - Durante os últimos 12 meses, na empresa onde trabalha, você participou de reuniões para discutir estratégia de transformação digital de Supply Chain e logística (indústria 4.0, Supply Chain 4.0, smart logistics, etc)?



O aumento das discussões sobre inovação e a possibilidade de participar da aplicação de novas tecnologias foi indicado como animador pela grande maioria dos que responderam a pesquisa, sejam esses profissionais que atuam no processo de decisão, implementação ou consultor. A figura 4 ilustra essa percepção dos participantes da pesquisa.



Focando nos respondentes que indicaram estarem preocupados com a possibilidade de serem substituídos por novas tecnologias são profissionais que atuam como em posições de gerência, analistas e assistentes.


Já os que indicaram sentirem-se perdidos por não entenderem em profundidade a tecnologia em discussão, temos profissionais que fazem parte da equipe que avalia a aplicação da nova tecnologia devido a seu conhecimento específico sobre o processo envolvido e também participam da implementação. Na maioria dos casos, esses profissionais atuam em postos de coordenação, supervisão ou gerência.


Em pergunta sobre o impacto das inovações em Logística e Supply na equipe, obtivemos respostas que corroboram com a percepção de ânimo no que diz respeito a abertura de oportunidades versus as possibilidades de demissão. 85% dos respondentes indicaram acreditar que as inovações tendem a abrir espaço para novas atividades que hoje não fazem parte da realidade da empresa enquanto que apenas 8% indicam que as inovações devem gerar demissões. A figura 5 ilustra esta percepção do impacto de inovação na área de atuação dos respondentes.



Figura 5 - Resultado da percepção dos impactos de inovação - 12. Na sua percepção, como o processo de inovação em Logística e Supply Chain impactará a equipe que atua nessa área?



Do ponto de vista de busca por aprender novos conceitos, técnicas e tecnologias no contexto de transformação digital e inovação, a figura 6 mostra os principais meios de aprendizado indicados pelos respondentes para aprender sobre novas tecnologias voltadas à Logística e Supply Chain.



Figura 6 - Formas de aprendizado e

atualização dos profissionais respondentes da pesquisa



A maior parte dos profissionais entrevistados indicaram utilizar lives, webinars e vídeos para aprenderem sobre novas tecnologias, transformação digital e inovação.


Esse resultado foi reforçado pela pandemia e o uso intenso da internet para discussões esse ano, mas não somente essa pode ser a causa da alta representatividade dessa alternativa de aprendizado, e é válido falar aqui sobre colaboração.


Segundo Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri Van Geest, no famoso livro “Organizações Exponenciais: porque elas são 10 vezes mais rápidas e mais baratas que a sua”, uma das ferramentas que pode ser utilizada para o desenvolvimento de ideias disruptivas, escaláveis e viáveis está associada ao uso de comunidades e multidões.


Como exemplo do ganho de trabalhos colaborativos ele cita o caso do DIY Drones que tinha desenvolvido internamente o drone “predator” por US$ 4 milhões. Quando abriu-se o projeto para desenvolvimento em comunidade, foi criada uma nova versão do drone com 98% das funções originais e ao custo de US$ 300. Ou seja, o trabalho colaborativo entre especialistas e não especialistas, com alta diversidade, viabilizou o rápido desenvolvimento de boas soluções e isso, aparentemente, de forma intuitiva, foi utilizado por muitos dos profissionais que assistiram e participaram de muitas lives e webinars esse ano.


Seguidos dos webinars, estão os artigos e revistas, eventos do setor e conversas com parceiros e clientes dentre as formas mais utilizadas para atualização dos profissionais, passando a frente dos cursos de curta, média e longa duração, assim como dos treinamentos in company.


Isso pode indicar que a velocidade de mudanças tecnológicas e de aplicações não vêm sendo acompanhadas pelas instituições mais tradicionais de treinamento. Segundo Marcelo Rocha, o processo de definição dos treinamentos in company é normalmente longo e às vezes busca trazer cases variados e aplicações consagradas e isso reduz a possibilidade de explorar discussões iniciais e cases de insucesso que por muitas vezes são relevantes em contextos inovadores. No entanto, ele indica que cada vez mais as empresas têm utilizado webinars, lives e vídeos em treinamentos internos, buscando dinamizar mais o processo educacional das universidades corporativas.


56% dos respondentes da pesquisa indicaram que nas empresas onde trabalham estão desenvolvendo planos de treinamento como apoio aos processos de inovação, 43% indicaram que as empresas têm buscado contratar profissionais que já tenham conhecimentos específicos, 31% indicaram que a empresa está criando uma área voltada a inovação e apenas 11% indicaram perceber um movimento claro de realocação funcional de profissionais, questão simplificada na figura 7.


Figura 7- % de respondentes: Quais são as ações voltadas a gestão de pessoas que atuam em Logística e Supply Chain que na sua percepção ou conhecimento a empresa onde você trabalha está fazendo ou planeja fazer para auxiliar os processos de inovação?


Focando nos temas associados a novas tecnologias e transformação digital, verificamos que os temas já bem entendidos por pelo menos metade dos profissionais respondentes foram:


- Internet cloud,

- Centro de dados,

- Inteligência artificial,

- Torre de controle,

- Multicanalidade e

- Centramento no cliente.


Já os temas cujo menos de 25% indicaram ter bons conhecimentos foram:


- Processos, produtos e serviços smart,

- Blockchain e

- Additive manufacturing (uso de impressão 3D para descentralizar produção).


A figura 8 ilustra os temas mais conhecidos pelos profissionais de Logística e Supply Chain ao centro e os menos conhecidos nas extremidades externas.

Figura 8 - % respondentes que indicaram que conhecem bem o tema - Nível de maturidade do conhecimento dos respondentes em cada solução digital


Dentro desse contexto de mudanças, 73% dos respondentes da pesquisa indicaram que nos últimos 12 meses as empresas onde eles trabalham realizaram inovações relevantes em Logística e Supply Chain e mais de 90% indicaram que nesse mesmo período eles participaram do desenvolvimento de alguma mudança de processo e/ou tecnologia. As figuras 9 e 10 ilustram essas percepções.





Sobre a percepção de realização de inovações relevantes, o varejo indicou uma intensidade ligeiramente mais alta de inovações realizadas durante 2020 (79% dos respondentes) em comparação à indústria (74% dos respondentes). Assim como o varejo também indicou mudanças de processos e/ou tecnologias (95% dos respondentes) ligeiramente maior que a indústria (92% dos respondentes).


Na figura 11 os respondentes apontaram que os principais objetivos para a busca por inovações em Logística e Supply Chain nos últimos 12 meses esteve principalmente associada à busca por reduções de custos, seguida da necessidade de adequar às operações as mudanças de negócio e aumento de visibilidade e flexibilidade.


20% dos respondentes indicaram que as inovações também ocorreram com objetivo de reduzir impacto ambiental e adequar a operação a novos critérios de segurança sanitária devido à pandemia.


Figura 11 - Resultado das principais implementações em 2020 (% respondentes Indústria, Varejo e 3PL)


A busca pela redução de custos já é um objetivo que comumente aparece no contexto de melhoria de processos e inovações. Esse ano, no entanto, tal objetivo veio reforçado pela pandemia que gerou aumento no custo das entregas, migrando muitas entregas que eram consolidadas no varejo para entregas até a casa do consumidor, além de gerar para muitas empresas redução de vendas e uma pressão grande por redução de custos.


A pandemia também refletiu nas respostas que indicam que os objetivos das inovações tem relação direta com a necessidade de adequação da operação às mudanças de negócios, pois parte das mudanças de negócio esteve relacionada ao aumento de entregas fracionadas, menor previsibilidade de demanda e maiores dificuldades na gestão de estoques.


Dentre os tipos de projetos que foram implementados nos últimos 12 meses temos que a maioria das empresas buscaram melhorar a visibilidade das entregas e realizaram mudanças de processos e automatizar processos digitais através do uso de robôs.


Verificou-se também um grupo inicial de empresas early adopters que trabalhou no desenvolvimento de projetos que envolveram blockchain e realidade virtual ou aumentada. Mas vale ressaltar que ainda há muito a ser dedicado em relação à redução do impacto ambiental e melhoria do impacto social tanto na Indústria quanto no Varejo, algo que será muito exigido principalmente pela geração dos Millennials (nascidos entre 1980 e 1990) e pela já expressa demanda da Geração Z (nascidos entre 1990 e 2010).


A figura 12 mostra os principais tópicos trabalhados em projetos nos últimos 12 meses na indústria, varejo e operadores logísticos.


Buscando uma visão mais geral do status atual de implementação de diferentes tecnologias e suas tendências de implementação para 2021, 2025 e 2030, organizamos essas informações nas figuras 13, 14 e 15 das próximas páginas.


Como se pode observar, os softwares de gestão de armazém (WMS), de gestão e otimização de transportes (TMS), compras e previsão de demanda são as tecnologias mais utilizadas pelas grandes empresas estando presentes em cerca de metade das grandes indústrias. Para 2021 várias empresas que ainda não os utilizavam indicaram a intenção de realização de investimentos para sua implementação em 2021, sendo os softwares de planejamento e previsão de demanda os com maior interesse, principalmente pelo varejo. Em caso essas intenções de implementação se concretizem, teremos ao final de 2021 cerca de 75% das grandes indústrias e varejos com esses 4 grupos de softwares implementados.

Considerando outros grupos de soluções e tecnologias menos tradicionais, temos que os que se destacam dentro das previsões de implementação até final de 2021 são diferentes para indústria e varejo. Para o varejo o foco dos projetos para a maioria das empresas deve estar em:

1) Uso de smartlockers (armários inteligentes),

2) Maior descentralização de estoques (incluindo CDs Urbanos, uso de lojas como CDs, pontos avançados, etc),

3) Criação de torres de controle e

4) Plataformas para contratação de transportes e frete.


Já para a indústria temos que a maioria das empresas deve focar em:

1) Estruturação para uso mais robusto de sistemas para uso de big data e inteligência artificial como a criação de data center de Supply Chain, contratação de equipe de ciência de dados e uso de ferramentas para análise de big data,

2) Aplicação de tecnologias para redução de acidentes,

3) Criação de torres de controle e

4) Aplicação de sistemas / plataformas para aumento de visibilidade de transportes.


As soluções e tecnologias que ainda devem demorar mais para ter sua aplicação mais comum, chegando próximo de 50% das empresas e aplicando apenas por volta de 2030 são:

1) Uso de drones: seja para inventário, movimentações internas ou para entrega para clientes que deve ser mais representativo apenas por volta de 2030

2) Uso de realidade aumentada ou virtual

3) Substituição da venda de produtos por aluguel ou consignação de produtos smart


O uso de veículos autônomos e impressão 3D tem previsão de terem uma maior representatividade já em 2025. O uso de tecnologias de impressão 3D está associado a uma disrupção muito grande de processo de Logística e Supply Chain que vem sendo chamado de Manufatura Distribuída e Additive Manufacturing. Esse é um ponto que merece destaque, pois foi indicado pelos respondentes como tema sobre o qual os profissionais ainda têm pouco conhecimento, podendo ser uma mudança estrutural que pegará muitos profissionais de surpresa.




Para realização dessas implementações os respondentes indicaram que as empresas trabalham com sua equipe interna e consultorias e pretendem crescer significativamente o trabalho com startups e universidades, além de grandes empresas de softwares e equipamentos, conforme ilustrado na figura abaixo.



O crescimento do relacionamento com startups e universidades, em muitas empresas, está muito alinhado com a criação de áreas e centros de inovação, conforme verificado na figura acima, dado que esse trabalho de relacionamento para um desenvolvimento conjunto de tecnologias e aplicações em muitos casos existe dedicação constante.


Conclusão


Com base nos resultados da pesquisa realizada podemos dividir os desafios de inovação em Logística e Supply Chain em 3 grupos diferentes: humano, técnico e ecossistema.


Do ponto de vista humano vemos ânimo e otimismo das pessoas em participar de processos de inovação e ao mesmo tempo uma ansiedade quanto às limitações individuais seja do ponto de vista de necessidade de desenvolvimento de soft skills ou hard skills.


Nesse contexto, re-discussões da cultura e estrutura organizacional, educação profissional, implementação de novas metodologias de trabalho mais ágeis e que permitam uma melhor interação de uma equipe mais diversa, independente e colaborativa, são temas que devem permear os próximos anos.


Os desafios técnicos estão diretamente relacionado ao desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias. Várias novas tecnologias podem ser aplicadas de forma a gerar grandes disrupções não somente em Logística e Supply Chain em si mas também no desenho de negócios e da economia atual.


Cada setor tende a aplicar diferentes tecnologias para solucionar temas específicos, como podemos ver, por exemplo, um maior uso de drones no varejo que na indústria, sendo relevante ao profissional de logística e supply chain entender as necessidades e benefícios específicos que cada tecnologia pode trazer a sua empresa em especial.


A construção de ecossistemas de inovação também passa a ser um tema relevante, considerando-se um aumento do trabalho colaborativo entre diferentes tipos de players, sejam através da colaboração entre empresas de elos diferentes ou do mesmo elo. Espera-se um aumento na busca de empresas, indústrias ou varejo, pela construção conjunta de soluções junto a consultorias, startups e universidades, além da construção de estruturas internas voltadas à inovação e aprendizagem.


O ano de 2021 tende a ser intenso no desenvolvimento e implementação de inovações, principalmente, devido aos grandes impactos causados pela pandemia.


Posts recentes

Ver tudo